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Pelos visto é de bom-tom, todo o bom portuga beber um copito…
Mas pelo que parece o nosso secretário de estado da administração interna não vai muito nesta antiga tradição portuguesa, é que segundo ele, os portugas são um perigo na estrada porque andam sempre com os copos. Foi então que resolveu pensar “portuguesmente” e já que não consegui descobrir maneira de combater a sinistralidade rodoviária ligada ao álcool passou a batata quente para os produtores de vinho, cervejas etc… O nosso ministro diz então que a os portugas só se metem nos copos porque em Portugal só se produz vinho de qualidade e com muito grau. Realmente o vinho e uma das únicas coisas que exportamos, mas sempre e melhor ter vinho sem grau e com sabor a vinagre, do que portugas bêbados. É que se o vinho português passar a ser mau os portugueses simplesmente deixam de beber, nunca vão tocar em bebidas camones… Realmente como é que ninguém se lembrou disto antes?!
Esperem lá mas o nosso ministro propõem também que sejam os produtores de bebidas alcoólicas a fazer as campanhas contra a sinistralidade rodoviária, o que é bem visto sim senhor. Vamos ter um marketing muito atractivo, com slogans do género “cerveja Sagres sabor autêntico mas apenas fora do volante”, “Super bock tango, tão fácil de beber, tão difícil de conduzir”…
Acho que sim parece que o “portuguesmente” pensado vai ser sempre uma boa maneira de resolver os problemas do país e valorizar o produto nacional…

Depois de um dia não muito
produtivo, estou para aqui sentado a divagar…
“Portuguesmente”
pensado vivemos aqui num cantinho da Europa, e com tanta gente que existe neste
mundo para implicar porque será que escolhemos como nosso alvo predilecto o
típico “portuga” alentejano… Realmente se os alentejanos são retratados
caricatamente pelo pachorrento velhote debaixo do chaparro de enxada ao ombro,
qual foi o mal que ele nos fez para ser sempre tema de conversa?! Sé é por não
fazer nenhum, temos muita gente muito mais chata que não faz nada e que se
senta bem mais confortavelmente no parlamento… Esses sim uns autênticos empatas
na vida de todo o bom “portuga”…
Depois de
muito esforço, lá consegui pensar “portuguesmente”
e logo se fez claro na minha
mente o porquê de tanto alvoroço a volta dessas tão caricatas figuras.
Segundo a sabedoria portuguesa “quem desdenha quer comprar”,
e se repararmos todo o “portuga” citadino lá bem no fundo se identifica
com
esta tão utópica figura do alentejano sem nada para fazer. Ora vejamos,
levamos
a nossa bela vida a estudar para um dia podermos ficar de papo para o
ar, ou a
sombra da “bananeira” contentes com a reforma gentilmente ofertada pelo estado. Vendo bem essa imagem que tanto queremos
para o nosso humilde futuro, assemelha-se realmente ao bom velho alentejano,
apenas com a diferença que ele não precisa de ter 65 ou 68 anos para poder
fazer esta vida…
Mas pelo
andar da carruagem está fora de questão poder atingir o apenas teórico nível de
descanso alentejano, é que reformas não as vamos ver tão cedo e mais dia, menos
dia ainda temos de descontar depois da morte… É que já nem no túmulo se pode
descansar pá…

Domingo, dia que até Deus
escolheu para descansar, não é de estranhar que seja um dia de culto para
qualquer “portuga”.
Estava
calmamente, no meu confortável sofá, a pensar o que jantar quando ligo o
televisor e me deparo com a notícia do fecho uma catrefada de restaurantes
chineses. Bem aquilo é que foi, encontraram de tudo, baratas, carne e peixe
fora de prazo, um autêntico exemplo do que não se deve fazer na indústria
alimentar… Mas realmente o que me preocupa e que nos últimos anos cada vez se
vê mais chineses nosso país e por estranho que pareça nunca me deparei com um
funeral chinês ou com a cara de um chinês nos obituários. Mas também eles
inventam tanta coisa, se calhar encontram um elixir de juventude, quem sabe…
“Portuguesmente”
pensado lá fui procurando alternativas para o meu jantar, já que ir jantar a um
restaurante ficou fora de questão, não vá amanhã descobrir que fecharam o local
onde fui comer a minha refeição de domingo…
Parece que
fico por casa, mas afinal o que é que posso comer? Bem peixe está fora de
questão, é que de há uns anos para cá que me dizem que o peixe esta contaminado
com mercúrio e dia sim, dia não lá se afunda um petroleiro. Passando para a carne,
vaca nem pensar, as vacas estão todas com BSE. Frango parece ser a alternativa
mas os francos tem nitrofuranos e o resto das aves andam com gripe…
Pelos
vistos tenho de me ficar pelos legumes. Esperem lá mas os legumes estão sempre
cheios de pesticidas, querem ver que fico sem jantar…
Vou mas é
pensar a portuguesa, é que "portuguesmente" pensado “o que não mata engorda”
afinal se vir bem não a nada que coma que não me faça mal, mas se ficar sem
morrer ainda morro, e para morrer ao menos morro de barriga cheia…

Mais um dia passado, depois de
uma merecida refeição lá se vão vendo as notícias do nosso Portugal. Escândalos
políticos, corrupção na polícia, pais que batem nos filhos, filhos que batem
nos pais, tudo e mais alguma coisa, realmente nada como um bom telejornal para
ajudar a digerir farnel que já me chegou frio ao prato depois de ter estado parado
para lá de meia hora no transito…
Bem mas
tirando o tradicional enjoo pós jantar, saltaram-me à vista as belas medidas tomadas
pelo nosso governo. Para começar não posso deixar de referir a genial “ideia”
do desarmamento voluntário, realmente o nosso governo não podia ter estado
melhor é que se virmos bem mata dois coelhos de uma só cajadada. Por um lado
faz com que as armas ilegais sejam entregues por outro recicla as mesmas
armando a P.J. a P.S.P e a GNR que realmente bem precisam. A opinião pública é
que parece não concordar uma vez que apenas 25% dos inquiridos estão a favor. Ponderando
bem estes 25% devem coincidir com o pessoal que ganha a vida por vias
alternativas, de legalidade duvidosa, uma vez que tirando as armas aos
indefesos "portugas" que tentam ganhar a vida honestamente até lhes facilitamos
o serviço. Meras coincidências matemáticas, talvez… Mas em fim “portuguesmente”
pensado não é das piores medidas dos últimos tempos.
Mais uma
das fantásticas medidas do nosso governo é o encerramento de maternidades, pois
segundo o nosso Primeiro-Ministro, maternidades que não apresentem todas as
condições necessárias as futuras mamãs devem de ser encerradas. Até está certo,
para que arranjar as maternidades se é muito mais fácil fechá-las, só faz com
que o desemprego na saúde aumente “ligeiramente” e que alguns pretendentes a
“portugas” nasçam em Badajoz. A isto é que se chama sorte a nascença…
Bem já me esquecia, é que parece que
vamos ter um novo casino; nem tudo é mau, já viram. Parque das nações, belo
sítio para um casino sim senhor, boa escolha. Afinal há desculpa para não haver
dinheiro para as maternidades, é que “portuguesmente” pensado o casino sai bem
mais em conta, porque pode ser que cá venham uns “camones” e deixem por lá uns
trocos é que “portugas” em casinos só na cabeça do nosso governo…

“Portuguesmente” pensando, um ilustre senhor de seu nome Afonso Henriques resolveu revoltar-se contra a sua mãe, dando início à formação desta grande nação Portuguesa.
Por muito que me custe admitir nunca se foi muito longe pensando “portuguesmente”, por isso não e de estranhar que um país que já foi um império se encontre no estado em que está. Um país que serviu de berço a Vasco da Gama, que descobriu caminho marítimo para a índia está agora apetrechado com meia dúzia de canoas a que chamamos navios de guerra e que nem com muito esforço fazem a viagem a Marrocos. Um país que teve cantoras como a Amália, conhecida mundialmente, tem como grandes músicos nacionais uns jovens que saíram de uma escola de teatro e que se limitam a dançar e saltar. Enfim um país em que o bom senso dá lugar ao “portuguesmente” pensado, em que não é beneficiado o bom cidadão que paga as suas dividas e cumpre as leis, mas por sua vez o amigo do conhecido que fura o sistema vivendo a sua vida calmamente e que deixa para os outros aquilo que lhe compete fazer.
Então e não tem acontecido nada de bom para o país nesta nossa triste actualidade portuguesa? Tem sim senhor, parece que os nossos irmãos espanhóis estão a investir em Portugal. Realmente não amor como o amor de irmão, primeiro andamos a bulha para termos este bocado de chão e agora se não fossem eles nem a porcaria de uma estância turística como deve ser tínhamos. Coitado do irmão rebelde que mandou a mãe para a terra dos pais, deve ter dado com cada volta no tumulo…
Bem isto não há de ser nada, pois "portuguesmente" pensado estará cá sempre alguém que faça isto ir para a frente e se não tiver, pelo andar da carruagem qualquer dia somos espanhóis outra vez e pode ser que isto melhor, ou não…
. Alcoolémia vs Sinistralid...